Blink

Ligia Paula Machado e Eduardo Pelizzari: tipos retraídos (Divulgação)
Ligia Paula Machado e Eduardo Pelizzari: tipos retraídos (Divulgação)

Resenha por Dirceu Alves Jr

Tudo leva a crer que Blink, peça do inglês Phil Porter, vai se transformar aos poucos em uma comédia romântica. Sob a direção de Kleber Montanheiro, a montagem brasileira começa com um tanto sisuda, com ares bem dramáticos, e, assim, enreda aos poucos o espectador ansioso por uma história de amor. Sophia e Jonas (interpretados por Ligia Paula Machado e Eduardo Pelizzari) sofrem um bocado. Perderam familiares queridos há pouco, a vida profissional não existe e são retraídos em excesso. Com uma grana no bolso, o rapaz vai tentar a vida em Londres e aluga o apartamento onde vivia o pai da moça, bem debaixo do que ela mora. Em nome de uma aproximação, Sophia envia uma câmera para o novo vizinho e passa a exercer suas atividades diante de um monitor. A brincadeira passa a ficar estranha e, do drama para o romance, o autor ensaio um caminho de suspense e cai em uma quase tragédia. A multiplicidade temática chama a atenção da plateia, que não fica limitada a torcer por um final feliz do casal. Ligia Paula imprime doçura e naturalidade em sua personagem, e Pelizzari surpreende por se mostrar convincente em um tipo introspectivo. Os méritos também podem ser atribuídos para Montanheiro. O diretor alcançou um tom realista sem pressionar seus intérpretes e também compreendeu essa dramaturgia que dá voltas o tempo inteiro e leva charme ao espetáculo. Estreou em 2/4/2016.

Direção: Kleber Montanheiro
Duração: 80 minutos
Recomendação: 10 anos

 

Fontehttp://vejasp.abril.com.br/atracao/blink/ 

"A história do teatro brasileiro é povoada de atrizes empreendedoras, que, em vez de ficar em casa à espera de um convite, resolveram arregaçar as mangas e produzir seus próprios espetáculos".

Miguel Arcanjo Prado

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